Não Achei a Pobreza, Porém
Vi a Fraternidade e a Igualdade
 
 
Kahlil Gibran
 
 
 
 
 
Por detrás das muralhas do presente, ouvi o hino da humanidade.  Ouvi o repicar dos sinos, que faziam estremecer as camadas do éter, avisando do começar das orações no templo da Beleza, sinos que foram fundidos pela força dos minerais da sensibilidade, erguidos no seu altar sagrado, – o coração humano.[1]
 
Por detrás do futuro, vi a multidão prostrada no seio da natureza, olhando para o nascente, e aguardando o raiar da Luz da madrugada, – aurora da realidade.
 
Vi o desmoronamento das cidades, não ficando delas vestígios alguns senão ruínas que anunciavam o extermínio das trevas perante a luz.
 
Vi os anciãos sentados à sombra das árvores de cipreste, e em redor deles, sentadas também, as crianças escutando a história dos tempos.
 
Vi os jovens tocar rabeca e flautim e as donzelas com os cabelos soltos dançarem em redor deles sob as ramagens de jasmim.
 
Vi os adultos ceifarem o trigo, e as mulheres carregarem os feixes, cantando hinos idealizados pelo bem-estar e alegria…
 
Vi a mulher trocar os ornamentos nocivos pelas coroas de lírio, e vestir-se com folhas vistosas das árvores.
 
Vi a Amizade fortalecida entre o homem e todas as criaturas, e clãs de aves e de borboletas a voar em direção aos riachos, com confiança e segurança. [2]
 
Vi e não achei pobreza, nem o que sobra além do necessário, porém vi a Fraternidade e a Igualdade; não vi um único médico, porque todos tinham o saber e os meios para curar a si mesmos. [3]
 
Não vi sacerdotes porque a consciência amanheceu a maior sacerdotisa.
 
Não vi procuradores porque a natureza ergueu entre eles posição científica, registrando as promessas da lealdade e do dever.
 
Vi o homem reconhecer que é a pedra de alicerce das criaturas, erguendo-se da pequenez e elevando-se da ignomínia, afastando o véu da suspeita das vistas da alma, a qual amanhecerá lendo o que é escrito pelas nuvens na face do firmamento, lendo o que traçará a brisa na superfície das águas, percebendo o segredo do alento das flores e conhecendo o significado do cântico do rouxinol e do sabiá.
 
Por detrás das muralhas do presente, no palco dos séculos vindouros, vi o belo como noivo, a alma como noiva e a vida toda como a noite da felicidade.
 
NOTAS:
 
[1] Neste parágrafo aproveitamos em parte o texto da edição feita pela Ed. Pergaminho, Portugal, da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, 2001, 190 pp., p. 77. O poema em prosa também está publicado com o título “Uma Mirada no Futuro”, na edição brasileira da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, Ed. Record, 128 pp., pp. 70-71.
 
[2] Neste parágrafo seguimos em parte a edição da Ed. Pergaminho, Portugal, da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, p. 78. Ver nota acima.
 
[3] Neste parágrafo aproveitamos parte do texto da obra “Pensamentos e Meditações”, de Kahlil Gibran, p. 78, ver nota acima.
 
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Olhei o Futuro” foi publicado nos websites associados dia 08 de abril de 2020. Ele faz parte também da edição de fevereiro de 2017 de “O Teosofista”, pp. 6-7. Salvo nos trechos em que indicamos outras fontes, o  texto acima é reproduzido da obra “Lágrimas e Sorrisos”, de Kahlil Gibran, tradução de José Mereb, Franco de Luca Editor, SP, Brasil, 184 pp., pp. 89-90.
 
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Clique para ler “O Templo do Futuro”, de Eliphas Levi, e “A Tarefa Vital do Futuro”, de Henri Durville.
 
Veja os artigos de Carlos Cardoso Aveline “A Essência do Futuro Humano” e “Como Perceber o Futuro”.
 
Faça a “Oração Diante do Futuro”. Recomende aos seus amigos os textos “Um Compromisso Com o Futuro” e “Os Mestres e o Futuro da Humanidade”.
 
Não deixe de ler “O Casal do Futuro” e “O Casal Como Centro da Civilização”. Pense na ideia de praticar, individual e coletivamente, a “Meditação pelo Despertar Planetário”.
 
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