Mestres da Sabedoria Oriental Ensinam
um Direito Abstrato e uma Absoluta Justiça
 
 
Carlos Cardoso Aveline
 
 
 
O juiz Sérgio Moro, de Curitiba
 
 
 
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Uma versão inicial do texto a seguir
foi publicada de modo anônimo na edição de
outubro de 2018 de “O Teosofista”,  pp. 1-2.
Título Original: “Justiça Deve Valer Para Todos”.
 
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O Brasil vive uma primavera cultural em câmara lenta. Década após década, o país experimenta um vagaroso despertar do sentimento ético.  Porém primavera não é sinônimo de bom tempo, e há uma crise climática na sociedade brasileira.
 
As bases da corrupção são culturais e dificultam a mudança. Vive-se uma guerra híbrida, um conflito oculto intenso. Os problemas são com frequência mais visíveis que as soluções, porque o carma acumulado não pode ser mudado de um dia para outro.
 
A mudança gradual é segura. O aumento da criminalidade no mundo político acelera como reação natural o nascimento de uma ética mais profunda e verdadeira do que a velha “ética para inglês ver” de tempos anteriores.
 
O processo é desafiador. Implica derrotas. Ajudando a renovar o país, o juiz federal Sérgio Moro cumpriu tarefa histórica ao julgar e condenar líderes políticos corruptos, embora influentes. 
 
O cumprimento da lei gera conflitos, especialmente nos casos em que o réu se julga poderoso o suficiente para desafiar e atacar as autoridades. Diante do amanhecer difícil da boa vontade, que acontece a cada ressurgimento da ética, cabe examinar problemas complexos. As dificuldades servem de desculpas para mais de um místico e esoterista abandonarem o compromisso que deveriam ter com a honestidade.
 
Eis algumas destas questões:
 
* Será dever de um teosofista bondoso e bem informado defender os criminosos, sempre que eles forem – pelo menos na aparência – simpáticos ao povo?
 
* Será antifraterno, antiteosófico e até fascista exigir a punição daqueles que mentem e roubam dinheiro da população pagadora de impostos, desmoralizando a democracia e atacando as instituições? Seria piedoso e fraterno deixar que os jovens sejam suavemente educados para o crime e induzidos ao uso de drogas?
 
Para estas perguntas, a resposta negativa será acertada.  
 
O correto, para o teosofista sensato e que possui um caráter bem formado, é defender a ética: mesmo que isso pareça difícil.
 
O conluio com criminosos, ainda que eles tenham fama, dinheiro e poder mundano, é antiteosófico. É antiético. Uma mentira apoiada por milhões de pessoas ainda será uma mentira. As injustiças destroem a si próprias. Um dos mestres de sabedoria oriental que inspiram o movimento teosófico desde 1875 escreveu:
 
“Todo teosofista ocidental deveria saber e lembrar – especialmente aqueles que quiserem ser nossos seguidores – que em nossa Fraternidade todas as personalidades submergem em uma ideia – o direito abstrato e a justiça prática absoluta para todos. E que, embora nós não digamos, com os cristãos, ‘retribua com o bem a quem lhe faz o mal’, nós repetimos as palavras de Confúcio, ‘retribua com o bem a quem lhe faz o bem; a quem faz o mal – JUSTIÇA’.” [1]
 
A posição da teosofia é clara. Só os peregrinos espirituais mais desinformados em relação à lei do carma poderiam apoiar ou tolerar o crime pensando que isso expressa um sentimento de compaixão divina. A filosofia esotérica, quando ensinada por quem a conhece, é contrária à hipocrisia e ao roubo do dinheiro público – e também condena o uso de drogas e outras formas de indolência.
 
A fraternidade universal exige a prática da sinceridade. Ela ensina a moderação, a sobriedade, o respeito impessoal por todos e a mais elevada moral.
 
NOTA:
 
[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, volume II, Carta 120, página 260.
 
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O texto acima foi publicado dia 22 de outubro de 2018.  
 
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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 
 
 
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