Examinando a Influência do Meio
Ambiente na Vida Mental e Espiritual 
 
 
Helena P. Blavatsky
 
 
 
 
 
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Um trecho da obra “Ísis
Sem Véu”, que foi publicada em 1877.
 
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Apenas no Oriente, e nas imensas regiões da África inexplorada, encontrará o estudante de Psicologia alimento abundante para a sua alma sedenta de verdade.
 
A razão é óbvia. A atmosfera nas regiões populosas está nocivamente viciada pela fumaça e pelas emanações de fábricas, máquinas a vapor, estradas de ferro e barcos a vapor, e especialmente pelas exalações miasmáticas dos vivos e dos mortos.
 
Tanto quanto o ser humano, a Natureza depende das condições, antes de poder agir, e sua poderosa respiração pode, por assim dizer, ser facilmente estorvada, impedida e interrompida, e a correlação de suas forças ser destruída num dado ponto, como se ela fosse um homem.
 
Não apenas o clima mas também influências ocultas tendem diariamente não só a modificar a natureza físico-psicológica do homem, mas também a alterar a constituição da chamada matéria inorgânica num grau não facilmente compreendido pela ciência europeia. Assim, o Medical and Surgical Journal de Londres adverte os cirurgiões a não levarem bisturis a Calcutá, porque descobriu, por experiência própria, “que o aço inglês não poderia suportar a atmosfera da Índia”; assim, um molho de chaves inglesas ou americanas será completamente coberto de ferrugem vinte e quatro horas depois de ter sido levado ao Egito, ao passo que objetos feitos com aço nativo naqueles países permanecem inoxidados. Descobriu-se também que um xamã siberiano, que deu estupendas provas de seus poderes ocultos entre os concidadãos chukchis, foi gradualmente e muitas vezes privado por completo de tais poderes desde a sua chegada à enfumaçada e nevoenta Londres.
 
Será o organismo interno do homem menos sensível às influências climáticas do que um pedaço de aço? Se não, por que duvidaríamos dos testemunhos dos viajantes que puderam ver o xamã exibir dia após dia fenômenos surpreendentes em seu país natal, e negar a possibilidade de tais poderes e fenômenos apenas porque ele não pode fazer o mesmo em Paris ou Londres?
 
Em sua conferência sobre As Artes Perdidas, Wendell Phillips prova que além de a natureza psicológica do homem ser afetada por uma mudança de clima, os povos orientais têm sentidos físicos muito mais agudos do que os europeus.
 
Os tintureiros franceses de Lyon, cuja habilidade é inultrapassável, diz ele, “têm uma teoria segundo a qual existe uma nuança delicada de azul que os europeus não podem ver (…) e na Caxemira, onde as jovens fazem xales que valem 30.000 dólares, elas lhe mostrarão [ao tintureiro de Lyon] trezentas cores distintas, que ele não apenas não pode fazer, mas também não pode distinguir”.
 
Se existe uma diferença tão grande entre a agudeza dos sentidos externos das duas etnias, por que não existiria uma diferença igual em seus poderes psicológicos? Ademais, o olho da jovem caxemiriana é capaz de ver objetivamente uma cor que existe mas, por ser inapreciável pelos europeus, não existe assim para eles. Por que então não concordar em que alguns organismos peculiarmente dotados, aos quais se atribui a posse daquela faculdade misteriosa chamada segunda visão, veem seus quadros tão objetivamente quanto a jovem vê as cores; e que por isso os primeiros, em vez de meras alucinações objetivas criadas pela imaginação, são, ao contrário, reflexos de coisas e pessoas reais impressas no Éter astral, como explicava a antiga filosofia dos Oráculos caldeus, e supõem os modernos inventores, Babbage, Jevons e os autores de The Unseen Universe?
 
“Três espíritos vivem no homem e o animam”, ensina Paracelso; “três mundos projetam seus raios sobre ele; mas todos os três apenas como a imagem e o eco de um único e mesmo princípio de produção que constrói e une todas as coisas. O primeiro é o espírito dos elementos [corpo terrestre e força vital em seu estado bruto]; o segundo, o espírito dos astros [corpo sideral ou astral – alma]; o terceiro é o espírito Divino [Augoeidés].”
 
Estando nosso corpo humano de posse da “matéria terrestre primeva”, como Paracelso a chama, podemos aceitar facilmente a tendência da moderna pesquisa científica “para encarar os processos da vida animal e vegetal como meramente físicos e químicos”. Essa teoria corrobora ainda mais as afirmações dos filósofos antigos e a Bíblia mosaica, segundo as quais os nossos corpos foram feitos de pó e para o pó voltarão.
 
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O texto acima é reproduzido de “Ísis Sem Véu”, de Helena P. Blavatsky, vol. I, pp. 271-272, tradução de Mário Muniz Ferreira e Carlos Alberto Feltre, revisão técnica de Joaquim Gervásio de Figueiredo, Editora Pensamento, SP, 341 pp. O texto foi comparado com o original em inglês – edição fac-similar da edição de 1877, Theosophy Company – e melhorado quando necessário. Foram omitidas duas notas de rodapé que não pertencem à edição original. Cabe destacar, no entanto, que a edição em inglês traduzida pela Ed. Pensamento é legítima, adequada, e foi corretamente organizada por Boris de Zirkoff. A tradução da obra ao português é boa.
 
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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 
 
 
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